
Por estes dias recebi a visita de uma jovem recém casada. Dizia: “ faz um mês que estou casada e estou meio perdida”. Perguntei o que acontecia e ela, comovida, responde:
Como era bom acordar na casa da mãe e já encontrar o café prontinho, o pão com a geléia preferida já no prato. Como era bom chegar, após um dia de trabalho, no fim da tarde e encontrar o lanche pronto, a roupa lavada e passada. Hoje tenho que fazer tudo isso e meu marido também sente falta de algumas coisas da casa paterna, do tempero da comida que a mãe dele fazia. Ele nunca precisou ir à padaria, ao supermercado, ao açougue. Estamos meio atrapalhados.
Ouvindo o que ela dizia, lembrava-me de minha casa, de meus pais, que, desde cedo, nos ensinaram a ter uma certa autonomia e a colaborar em todas as atividades da casa, desde o arrumar a mesa, fazer compras, cuidar da roupa. Minha mãe sempre repetia: “eu não vou durar sempre e vocês vão precisar cuidar da vida por conta própria.” E é verdade....
Hoje, com a desculpa de tantas atividades no horário dos filhos, alguns pais fazem tudo, inclusive pagar as contas nos bancos. E os filhos não sabem fazer mais nada sem a presença ou orientação dos pais. Conheço um rapaz que, mesmo depois de anos de casados, telefona para a mãe para saber que roupa deverá usar naquele dia. E estamos formando dependentes.
É preciso saber orientar, ajudar, corrigir, ensinar. Não somos insubstituíveis e cada um terá que cuidar da própria vida. É claro que não aprendemos tudo. Sempre precisamos nos adaptar a novas realidades. E o casamento é uma delas, onde constitui-se novo lar, nova família, novos costumes, novos relacionamentos. É importante, sim, a presença dos pais de ambos nesta nova etapa da vida. Presença afetiva, nunca impositiva e dominadora. E é preciso saber que, nos primeiros tempos, o aprendizado e a convivência a dois se faz através do diálogo, do companheirismo, na cumplicidade.
Acompanho um jovem casal, cuja amizade me é muito querida, onde a moça, que sempre ocupara o tempo estudando e a mãe é, ainda hoje, ótima cozinheira, que não tivera tempo para aprender a cuidar da vida doméstica. A mãe sempre cuidava dos filhos com um carinho imenso e sua alegria era ver a família feliz. Sempre tem o docinho preferido, a comida especial. Tudo muito bonito e acolhedor. Eu gosto muito, quando posso, de ir até lá. Ela faz para mim também o meu prato preferido ( não vou escrever qual é, caso contrário todo mundo vai levar lá em casa e eu irei enjoar....é para algumas ocasiões). Quando do casamento da filha, a mãe ficou preocupada, pois não ensinara determinadas coisas e a filha iria morar longe. Pois bem, o rapaz, muito educadamente, foi ensinado a fazer todas as coisas, pois ele havia morado sozinho durante muito tempo. E ela foi aprendendo, criando coisas novas, buscando receitas, fazendo as compras. E sempre os dois juntos, onde crescem no amor e na cumplicidade, algo necessário numa vida a dois por toda a vida. E um prepara o café e o outro, por questões de horários, prepara o jantar. Ambos almoçam no próprio local de trabalho. E como vivem bem e como são felizes.
Fui contando estas coisas para a jovem esposa e ela começou a sentir que era hora de começar, de treinar, de errar algumas vezes, porém sempre com alegria. Fui dizendo que a graça do Sacramento do Matrimônio é para estas situações também. É preciso saber pedir Àquele que se comprometeu com sua presença todos os dias: “Senhor, pela graça do Sacramento do Matrimônio, ensina-me a fazer isso...”. E a vida acontece e a gente vai percebendo e aprendendo.
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano Rizzi.

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