
Ele se considera um legítimo “noiveiro”, no mercado do casamento há mais de 20 anos confeccionando vestidos de noiva, Pedrinho Fernandes relata para a Revista Noivas & Cia quais são as tendências para este ano. Há 21 anos marcando presença na Rua São Caetano, o estilista conta em detalhes o que será referência em 2007.
Para o estilista, dentro do segmento noiva, o branco é pleno porque quando se pensa em casamento, fala-se dele em toda a sua extensão e conta: “Ele representa a paz, pureza, mas para a moda noiva não existe cores e distinções. Porém, o branco sozinho arrebata entre 70 a 80% da fatia. A tendência agora surge novamente para enfrentar o branco como já aconteceu no final da década de 80 e começo de 90”.
Segundo Fernandes, essa força voltou de novo para quebrar o branco e ficar diferente. Então, os tons que ganharão força são os marfins, pérola, champagne, vermelho, mas a escolha da cor é livre.
De acordo com a opinião de Pedrinho, o tomara-que-caia vai ser bastante usado, porém todos os decotes estão em alta sempre, contudo o ombro-a-ombro, regata quadrada, regata redonda, entre outros serão muito apreciados. Ele aposta que a cada 10 vestidos produzidos em seu atelier, dois serão confeccionados no estilo tomara-que-caia.
No setor de tecidos, o profissional afirma que o cetim é o mais requisitado, mas hoje podemos perceber que as mulheres estão querendo fugir do tradicional não só no tom. “O cetim é o queridinho das noivas, mas vem o crepe georgette e a gaze. Depois os mais nobres que são o zibeline e o shantung, mas eles não comportam determinadas funções”, conta.
Ele acredita que 2007 aposta na presença excessiva de bordados, com um pouco mais de rebordado. Já na área das pedrarias, o estilista aposta no estilo Dona Beja, Rococó, e esse mercado vai voltar apenas para àquelas mulheres que gostam do estilo Pedrinho Fernandes. Entretanto, a pedraria vai voltar para todas com quantidade e qualidade, no entanto, para quem não gosta de excesso uma alternativa é fazer uso dos vidrilhos e dos cristais swarovski.
Aplicações de flores estão permitidas sempre, dependendo apenas do sonho da pessoa e criação do vestido. E, ele diz que a mulher praiana é diferente de quem vive nas grandes metrópoles, já quem mora na praia gosta de brilho, de branco e não gosta de decotes exagerados.
Um ponto que não pode deixar passar em branco são as tendências conforme o horário da cerimônia religiosa. De acordo com o estilista, os sítios e as chácaras cresceram demais, então tivemos de aprender a fazer casamentos para esses ambientes. Para a manhã o ideal é um vestido de renda, porque daí o brilho é outro. “Mesmo que seja de dia, o meu vestido tem brilho, mas o brilho é outro. É uma outra direção. Para cada horário existe um modelo e para cada noiva também. Sou meio contrário a algumas imposições, por isso, quando um estilista dá uma entrevista ele demonstra um perfil muito pessoal e eu sou conhecido como exagerado, mas exagerado em pedraria, só que em um vestido feito sem bordado também sou exagerado porque ele requer atenção e um exagero de cuidados”, diz Pedrinho.
Conforme os períodos vão passando, é possível incrementar o traje com mais bordados e pedrarias. Apesar disso, todo o cuidado é pouco porque a mulher precisa se sentir à vontade com a composição. Outra dica do estilista é para quem vai se casar na praia com uma celebração em forma de luau, nele, necessariamente não precisa ser feito à noite, mas como o nome já diz a festa deveria necessariamente acontecer após às 18h. Os modelos mais indicados para essa ocasião são peças leves, dirigidas, estilo cigana e sem muita armação.
Querido pelas mulheres que estão acima do peso, o conselho de Pedrinho Fernandes é não ficar se espremendo muito. “A tendência agora é dizer não as entretelas agressivas, sendo que elas só vão existir na região do busto, o resto é caimento. Se você é gordinha, será uma noiva linda, assim como existe a magra linda, a mulher que está acima do peso deve escolher uma cor bonita, detalhes preciosos, bordado, mostrar o decote e até mesmo as pernas”, afirma o estilista.
Já a dica do profissional para quem tem pouco seio é usar o bojo, e para quem tem muito o ideal é oferecer uma boa estrutura. Ele afirma que tudo precisa ser estudado conforme a estrutura corporal da mulher, pois na hora de escolher o vestido de noiva qualquer detalhe deve ser levado em conta.
As saias receberão mais volume. Ele está voltando porque na moda noiva não tem muito que inventar. Tudo é possível, principalmente, nas grandes metrópoles. Para Fernandes, a mulher não quer fazer um vestidinho qualquer, então já que juntou os amigos e parentes queridos, com certeza ela poderá ser o destaque do dia.
As mangas bufantes receberão uma leitura contemporânea, ou seja, será necessário pegar o antigo e transformá-lo no que há de mais moderno. É importante que haja uma releitura do que já é e, no que pode ser transformado e conta: “Eu nunca deixei de fazer um vestido de noiva exagerado, porque sonho é sonho”.
Entrando na área dos acessórios, Pedrinho Fernandes acredita que o chapéu é um artigo chique, principalmente para quem vai se casar no período da manhã ou tarde. Para quem vai se casar à noite, o estilista também indica o uso do chapéu, mas é fundamental que tudo esteja combinando. Já o casquete é uma peça mais dirigida, indicado apenas para quem tem o sonho de casar com ele.
Quando ele fala em volume das saias, o profissional não mentaliza uma saia franzida, mas sim no godê, em união com o quadril, devendo apenas chegar devagar. O evasê vai imperar sempre, contudo, o modelo sereia passou a brigar com ele e ganhará força aos poucos.
A cauda deverá ser fixa, evitando ao máximo utilizar a peça removível. Ele, particularmente, não gosta da removível, pois ela foi feita para arrastar, além de ter uma história, o estilista considera belíssima a mulher que carrega a cauda nos braços.
Não existe segredo para confeccionar uma composição conforme a estação do ano, aqui, ele considera apenas que existe azar. Até porque, atualmente é possível escolher um vestido de manga comprida para o inverno, mas ela poderá morrer de calor, já que as estações já não estão mais definidas no Brasil. O segredo é ter cautela, já que a maioria dos salões contam com ar-condicionado e algumas paróquias também.
O plissado é um caimento bastante requisitado no momento, lembrando que no passado ele era muito pedido, mas conforme os anos foram passando acabou perdendo a força. Entretanto, para Pedrinho Fernandes o plissado em forma de palito, soleil, escolar, enfim todos os modelos são bem-vindos.
Véu ou mantilha?
A mantilha para ele terá destaque esse ano, a renda e o modelo longo serão os mais apreciados. Quanto aos véus, existem tipos para todos os gostos, dependendo apenas da personalidade da mulher e o horário do casamento.
Luvas para noivas
As luvas podem ser usadas, não é hora, pode ficar guardada mais um pouco só que as mesmas também não são consideradas cafonas. Um acessório que ele considera que está em evidência são os braceletes, e com ele a bijuteria um pouco mais exagerada. “Acredito na tendência do exagero, pois a bijuteria está voltando numa versão meio Dona Beja. Uma coisa meio jóia de Ouro Preto, num tamanho maior, não é mais apenas uma gargantilha de strass”, relata.
Sandálias ou sapatos?
Quanto às sandálias ou sapatos, para ele depende apenas do modelo. Se você usará um modelo longo o sapato de bico é o mais apropriado, só que é possível usar as sandálias também. Agora se optou por algo mais curto é preciso tomar cuidado, até no caso de conter uma micose, senão você irá se casar com as unhas pintadas de vermelho e na foto aparecerá apenas o dedão. A sandália precisa ser bonita, assim como o sapato escolhido.
Buquê de noiva natural ou artificial?
O último toque do estilista é em relação aos buquês, porque ele acredita que o natural e com poucas flores são os mais bonitos. Por fim, ele acredita que quanto mais simples for o buquê melhor será, afinal o vestido de noiva já reluzirá o brilho suficiente para este momento tão especial.

Fabiana de Oliveira
Editora
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