
Um dos grandes desafios do ser adulto é a conquista da independência. A consolidação de uma carreira proporciona rendimentos, o que aos poucos promove o acesso a novas conquistas e aquisições. No entanto, existem hoje os chamados "adultecentes", aqueles jovens adultos com idade variando entre 25 e 35 anos que já possuem um trabalho mas que ainda permanecem dependendo dos pais, seja fisicamente (apenas dividindo o mesmo teto), ou mesmo emocionalmente.
Deixar a casa dos pais é um dos momentos de transição da vida e que traz consigo diversos desafios. Seja motivado pelo casamento, pela decisão de ir morar junto com o companheiro (a) ou mesmo mudar-se para a casa de um amigo, este momento é complexo por envolver ruptura e renúncia. Renunciamos à segurança, o conforto, às mordomias e o aconchego da casa de nossos pais e existem pessoas que, por conta destas perdas, acabam postergando tal decisão. O medo de sentir-se inseguro muitas vezes prevalece.
Trata-se de uma decisão que, além de envolver renúncia, compreende assumir uma atitude mais independente, um aprendizado de se dar conta sozinho ou com a ajuda do parceiro (a). Neste sentido, é comum o casal passar por um primeiro momento de adaptação. O apoio mútuo passa a ser importante e o casal poderá unir forças para enfrentar os novos desafios juntos.
E não é só os que saem que sofrem com a insegurança e o novo estilo de vida. Os que ficam também sofrem e muito. Os pais muitas vezes sentem falta do filho que partiu e muitos deles relatam a sensação da casa vazia. Psicólogos batizaram este período de "Síndrome do ninho vazio". Assim, por se tratar de um período delicado também para os pais, cabe ao casal administrar cada um a sua família, estarem presentes nos momentos de confraternizações, convidar os pais para visitas à nova casa, se possível envolvê-los nas conquistas com relação à aquisição de imóveis, compra de mobília, etc.
Desenvolver uma vida independente traz um aumento de auto-estima para muitas pessoas. Alguns subestimam sua própria capacidade de individualização e, felizmente, muitos se surpreendem. Trata-se, naturalmente, de um aprendizado e todo novo repertório está sujeito a acertos e erros (muitas vezes até mais erros do que acertos!). Contar com alguns percalços é importante para que a frustração e o arrependimento não tomem conta. Por mais desafiador que seja este momento da vida, as consequências podem ser sim muito positivas!
Karen Camargo é psicóloga clínica. Especialização e aprimoramento em Terapia Comportamental Cognitiva e Terapia de casal e família.
www.karencamargo.com.br

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