
L., de São Paulo, com seus 25 anos, formada em Direito, escreve com dúvidas sobre a maturidade de seu noivo. Diz que se sente preparada e pronta para assumir um compromisso por toda a vida. Não percebe o mesmo em seu noivo, também formado e com 28 anos.
Pois é. O matrimônio é um sacramento por toda a vida. Exige-se maturidade dos dois, plena consciência do que estão fazendo, liberdade na escolha e amor para sempre.
Quando um dos dois não tem consciência sobre tudo isso, coloca em risco a estabilidade do vínculo, o amor e a vida em comum. L., diz que seu noivo não pensa na fidelidade por toda a vida e que não abrirá mão de suas amizades, de suas saídas às sextas-feiras e de seu futebol no domingo. Também não acha certo que a esposa saiba quanto ele ganha e como ele gasta seu salário.
Lamento dizer, querida L., que você está entrando num barco furado. Se desde agora ele já vem avisando sobre isso, dificilmente ele mudará de atitude. É bom que as amizades continuem, pois precisamos sempre de amigos. É bom, porém, que as amizades sejam comuns aos dois. Que um tenha a liberdade de apresentar seus amigos ao outro e que possam ter atividades juntos, passeios e fes¬tas. Se um não quer apresentar os amigos ao outro, algo de ruim está sendo escondido. É bom que possam sair juntos “às sextas feiras”, pois isso ajuda a ter momentos alegres como costumam ter agora. É bom que o rapaz jogue futebol, pois assim ele queima as “calorias acumuladas depois de casados (as famosas barriguinhas)”.
Conheço casais amigos que costumam sair juntos para o futebol. Enquanto os homens jogam, as mulheres ficam na torcida organizada, preparando os lanches, acolhendo os “heróis cansados após o jogo”. E isto já dura 23 anos. É um grupo estabelecido na unidade, na amizade, na Igreja, no futebol e nos momentos difíceis. Numa ocasião um do grupo morreu de AVC . Todo o grupo assumiu aquela família naquele momento difícil. Isto é bonito e válido.
Quanto à questão da economia é normal que os dois saibam o que cada um tem de salário e que administrem em comum todas as contas. Afinal, os dois são um. Não fica bem e não leva a lugar nenhum esta atitude de esconder o que se ganha. Mesmo quando um dos dois tem salário maior, não significa que manda mais na casa. Tudo é dos dois.
Maturidade significa saber partilhar tudo isso. Maturidade significa crescer juntos e apoiar-se quando um dos dois está fragilizado. Se você percebe que não há progresso neste sentido, não exite em adiar o casamento. Se ele a ama realmente, como você afirma, saberá esforçar-se para fazer tudo para mudar e crescer. Se não houver progresso, este amor não tem solidez e é apenas empolgação e entusiamo. Com o tempo, a empolgação e o entusiasmo passam.
Como vocês dois ainda não começaram a pensar sobre a vida de fé após o casamento, é preciso pensar agora. Deus não é um passe de mágica que acontece depois de casados. Ele entra junto no lar que é abençoado. Ele se compromete com o casal que O busca sinceramente.
Concluindo, aconselho duas coisas:
1. Uma conversa com um psicólogo ajudará corretamen¬te na decisão.
2. Uma conversa com o Sacerdote da Paróquia onde vocês pensam em casar, com bastante antecedência, abrirá os olhos dos dois.
Peço a Nossa Senhora por vocês dois. Que Ela, Mãe Amorosa das Famílias, fortaleça a vontade de cada um.
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano.

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