Certamente você já passou por alguma situação nova ou frente a pessoas desconhecidas e se percebeu um pouco mais fechado e envergonhado. A timidez envolve insegurança, uma ansiedade diante de uma nova situação ou diante de situações onde tememos falhar. Não é preciso ser tímido para percebemos quando alguém fica vermelho quando recebe um elogio, por exemplo. A maioria de nós em algum momento da vida já passou por alguns momentos de timidez, mas existem pessoas que passam a sentí-la de uma maneira intensa, pois muitas vezes sentem medo de se expor e acabam perdendo oportunidades valiosas na vida.
As pessoas de temperamento tímido podem com o tempo se soltar, mesmo que nunca se transformem em pessoas realmente extrovertidas. Somente uma pequena parcela das pessoas é naturalmente extrovertida, com pouca ou nenhuma ansiedade em situações sociais.
O tímido gosta de parecer anônimo, escondido no canto mais discreto do ambiente, prisioneiro de uma angústia paralisante. É algo que o faz sentir-se prisioneiro de um drama solitário, único. É "morrer de vergonha", sentir o coração disparar, as mãos encharcadas, o rosto queimar, um tremor que beira o desequilíbrio, simplesmente por ter que pedir uma informação trivial a um desconhecido, por exemplo. Não bastasse todo esse desconforto, uma "tempestade" de pensamentos negativos, recheada de receios como ser ridicularizado, de preocupações como ser visto como louco ou covarde, que finalmente acabam por paralisar a vítima deste pesadelo.
A timidez excessiva merece atenção, pois pode estar no contexto de Fobia Social. A timidez patológica é uma doença ansiosa que faz com que as pessoas se sintam mais estranhas que as outras e com isso, fazem de tudo para não serem percebidas. Essas pessoas tornam-se progressivamente inseguras, inferiorizadas, e quanto mais o tempo passa, sentem-se mais diferentes dos demais. Fazer pedidos em restaurantes, dizer não a vendedores insistentes, fazer ou responder perguntas na sala de aula, iniciar conversas com colegas ou estranhos, todos esses exemplos são situações díficeis para os tímidos excessivos. Muitas situações do cotidiano se tornam barreiras intransponíveis, e os prejuízos à qualidade de vida se refletem em baixa empregabilidade, baixa realização sexual e afetiva, tendência à solidão e um efeito devastador sobre a auto-estima, porta de entrada para preocupantes quadros depressivos.
A timidez precisa ser tratada para que não comprometa a qualidade de vida da pessoa. A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender melhor o problema e refletir para possíveis mudanças sociais mais adaptativas. Procurar ajuda pode contribuir muito com a administração do medo e da ansiedade decorrentes deste transtorno.
Karen Camargo é psicóloga e atua como psicoterapeuta no atendimento a adultos e adolescentes, particular e por convênio.
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Karen Camargo
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