E quem nunca se chateou com uma espinha fora de hora, um defeitinho no nariz ou uma cicatriz que não foi embora? É claro que nós não somos seres perfeitos, sempre existe algo que gostaríamos de mudar, colocar ou tirar... Porém, o culto ao corpo se transforma hoje em epidemia ao presenciarmos pessoas cada vez mais infelizes com sua imagem, investindo tempo e muito dinheiro em tratamentos, exercícios e cirurgias.
Esta questão envolve um tema que vem intrigando profissionais da área da saúde: o Brasil é um dos campeões no ranking de cirurgias plásticas, o que sugere estar havendo uma busca irreal da felicidade nos seios fartos, na diminuição do ponteiro balança, na extinção dos terríveis pneuzinhos...
Tal questão não seria um problema grave se a preocupação com o corpo não se tornasse escravidão. O descontentamento com a própria imagem leva milhões de brasileiros às academias. Há quem gaste mais de quatro horas diárias em exercícios e nunca está satisfeito. Para algumas pessoas, esta preocupação com o defeito na aparência é acentuadamente excessiva e pode levar a um prejuízo nos relacionamentos sociais e ou até dificultar o desenvolvimento profissional.
Esta preocupação excessiva com a imagem corporal nos torna indivíduos ansiosos, perfeccionistas, tristes, com baixa auto-estima, insegurança e introversão. Em casos mais graves, o problema pode desenvolver obsessões e desorganização da personalidade.
Ser belo, jovem e magro é o conceito ideal que recebemos de nossa cultura através de personagens como modelos e artistas. A mídia nos invade diariamente com novidades estéticas como cremes revolucionários e aparelhos milagrosos para tornar o corpo esbelto.
Não há nenhum mal em não se sentir satisfeito com algum defeitinho, isso ao contrário, é natural. Todos nós gostaríamos de nos tornar pessoas mais bonitas e atraentes. A grande questão é saber onde está o limite entre o saudável versus obsessão. Buscar a felicidade apenas na parte estética pode gerar muita frustração. A felicidade está sim no que somos por fora, mas não podemos esquecer do que somos por dentro. Lembre-se disso quando se olhar no espelho e pensar: por que será que eu tenho esse nariz?
Karen Camargo é psicóloga e atua como psicoterapeuta no atendimento a adultos, adolescentes e casais.
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Karen Camargo
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