
A decisão pela maternidade / paternidade deve ser tomada em conjunto. Trata-se de uma regra que ninguém questiona. No entanto, quem não conhece pais ou mães que desempenham o papel por conta de um acidente ou mesmo por opção mais de um do que do outro?
Nossa cultura nos incentiva para que casemos e tenhamos filhos. Que casal de namorados já não foi surpreendido com a pergunta: “E aí, vocês casam quando?” E depois do casamento, a pergunta é outra: “E aí, quando vem o primeiro?” Décadas atrás, quem não queria filhos poderia ser considerado esquisito, as famílias costumavam olhar tal decisão com reprovação. O objetivo deste texto é mencionar que não há nada de errado em não querer ou mesmo querer esperar um melhor momento para se ter filhos. Trata-se de uma questão que só o casal pode decidir.
Discutir sobre a vontade de ter ou não filhos geralmente é feita quando o casal começa a fazer planos de ficarem juntos por mais tempo. E neste momento, divide-se com o companheiro (a) esta intenção, ou o número de filhos que gostaria de ter. No entanto, não há nada de errado em mudar de planos no meio do caminho. Quem não conhece aquele homem que não queria filhos e no final virou um super-pai?
Indicadores sociais apontam que nos últimos dez anos, praticamente dobrou o número de casais sem filhos onde ambos são remunerados. São os chamados “dinks”, do inglês “double income”, no kids” (dupla renda, sem filhos). Muitos decidem não engravidar pois optam por investir na carreira e em outras realizações.
O maior problema está quando um deles quer e o outro não. Temos aí um dilema que muitas vezes causa discussões e até rompimentos. Conversar sobre essas intenções é fundamental para a construção de uma família mais feliz: ser mãe e pai sem querer pode ser devastador para um indivíduo. Frases como: “tive este filho porque você quis” é usada quando se abdica de uma vontade própria pelo outro.
E qualquer que seja a decisão, pense que a escolha também foi sua, ou seja, não responsabilize o parceiro pelo sonho não concretizado. Partir para uma gravidez somente para agradar ou por medo de perder o parceiro pode ser um grande equívoco.
Karen Camargo é psicóloga formada pela PUC – SP. Especialização e aprimoramento em Terapia Cognitivo Comportamental. Aprimoramento em Terapia de Casal e Família. Atende em consultório particular, nos bairros do Brooklin e Higienópolis, em São Paulo. www.karencamargo.com.br


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