A vida moderna nos trouxe a oportunidade de um contato constante com os computadores. É unânime a opinião sobre os benefícios e as facilidades que a Internet nos propõe. O uso do computador e seus benefícios incentivam que necessitemos deles cada vez mais, seja para o trabalho, escola ou até mesmo, arrumar um namorado (a).
Os adolescentes podem ficar horas no computador e, assim, deixar passar aquela valiosa oportunidade de estar entre amigos. Esse é um tema que tem despertado muito a atenção dos profissionais da área da saúde: pessoas que são viciadas em computador e Internet acabam abrindo mão de relacionamentos reais para cultivarem relacionamentos virtuais. Isso pode ser perigoso, pois é muito mais fácil se expor pela tela de um computador do que pessoalmente.
Os problemas relacionados à Internet estão se tornando clinicamente relevantes, e temos constatado que seu uso pode estar presente em diversas patologias psíquicas, como a adicção ao jogo e ao sexo. A facilidade do acesso ao sexo via internet, por exemplo, tem contribuído para o desenvolvimento de patologias de ordem sexual.
Goldberg (1995) propõe um conjunto de critérios para o diagnóstico do que se pode chamar de Transtorno de Adicção a Internet, baseados nos mesmos critérios diagnósticos do abuso de substâncias, uma vez que o Uso Compulsivo da Internet ainda não aparece classificado como distúrbio:
1) Necessidade de aumentar a quantidade de tempo em Internet para conseguir satisfação. Diminuição da ansiedade com o uso continuado da mesma quantidade de tempo em Internet.
2) Abstinência, manifestado por qualquer dos seguintes:
a) Agitação psicomotora
b) Pensamentos obsessivos acerca do que pode estar acontecendo em Internet
c) Fantasias ou sonos sobre a Internet
d) Movimentos voluntários ou involuntários no teclado
Esses sintomas causam mal estar ou prejuízo na área social, ocupacional ou outra, de funcionamento importante.
3) Se acessa a Internet com mais freqüência ou por períodos mais largos do que inicialmente se pretendia.
4) Desejo persistente ou esforços infrutíferos de interromper o uso de Internet.
5) Emprego intenso e por muito tempo de atividades relacionadas ao uso de Internet, como por exemplo, comprando livros sobre Internet, provando novos navegadores, indagando provedores, organizando arquivos ou descarregando materiais.
6) Atividades sociais, ocupacionais ou recreativas reduzidas por causa do uso de Internet.
7) Continua usando Internet apesar de saber que tem um persistente ou recorrente problema físico, social, ocupacional ou psicológico que parece ser causado ou exacerbado por esse uso da Internet (privação de sono, dificuldades conjugais, chegar atrasado à compromissos, prejuízo dos deveres profissionais).
Procure ajuda profissional caso você ou alguém próximo apresente algum dos sintomas acima descritos.
Karen Camargo é psicóloga formada pela PUC – SP. Aprimoramento e especialização em Terapia Comportamental Cognitiva. É psicóloga membro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental. Coordena o departamento de Psicologia da instituição não governamental Fundação Cafu. Atende em consultório particular e no instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP).
Karen Camargo
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