
É impressionante a quantidade de e-mails que recebo de pessoas assustadas por um sentimento comum a todos nós: o ciúme. As perguntas mais comuns destas pessoas era a distinção entre o ciúme normal e o “fora do normal” além de possibilidades reais de tratamento para tal questão.
Um dos maiores desafios da construção de uma relação amorosa saudável e duradoura é o ciúme. Este sentimento é comum a todos nós seres humanos. Certamente você, eu e muitas outras pessoas já sentimos ciúme. Ele pode estar presente em qualquer tipo de relacionamento, nos amorosos, nas amizades, das relações entre pais, filhos, irmãos... Porém, há pessoas que levam este sentimento ao extremo. A queixa de muitas delas é a tentativa de controlar este sentimento e a frustração por não conseguirem.
O ciúme pode ser entendido como sendo um conjunto de pensamentos, emoções e ações que são desencadeados por algum tipo de ameaça ao relacionamento. As definições de ciúmes geralmente têm em comum três elementos:
1) Ser uma reação frente à ameaça do relacionamento
2) A existência de um rival real ou imaginário
3) A reação visa eliminar os riscos de perda do amor
Enquanto o ciúme normal se caracteriza por ser transitório, específico e baseado em fatos reais, o ciúme patológico seria uma preocupação infundada, irracional e descontextualizada. A queixa mais comum dessas pessoas é o controle excessivo que desenvolvem no relacionamento a ponto de “sufocar” o (a) parceiro (a). Muitos ciumentos podem ainda apresentar comportamentos de verificação (ligar constantemente, verificar se o parceiro estava falando a verdade, etc) e atitudes violentas.
Os ciumentos muitas vezes se sentem arrependidos diante de atitudes excessivamente controladoras e inadequadas e geralmente vivenciam sentimentos de culpa e Depressão. E é nesse momento que muitos deles recorrem à terapia, principalmente depois que a relação já chegou ao limite. O medo da perda é o tema central do tratamento do ciúme patológico além da reavaliação do comportamento controlador.
Concluindo, muitos ciumentos sofrem em silêncio. Poucos deles sabem que o ciúme pode fazer parte de um quadro de “excesso comportamental” e geralmente não sabem que precisam de tratamento ou procuram quando o relacionamento chega ao fim. Neste sentido, o (a) parceiro (a) ou mesmo as pessoas envolvidas podem ser indicadores importantes para a busca de tratamento. Muitos casos envolvem ainda a necessidade do uso de medicação para contribuir para um bom prognóstico do tratamento.
Indicação de Leitura:
Ciúme, o medo da perda. Eduardo Ferreira Santos. Ed. Atica
Karen Camargo é psicóloga formada pela PUC – SP. Aprimoramento e especialização em Terapia Comportamental Cognitiva. É psicóloga coordenadora do departamento de Psicologia da organização não governamental Fundação Cafu. Atende em consultório particular na região do Brooklin, em São Paulo.
"Os textos da psicóloga Karen Camargo são protegidos pela Lei Federal 9610-98. A reprodução, mesmo que de trechos, sem autorização por escrito da mesma, configura crime sujeito as penalidades previstas em lei."

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