
Um dos grandes desafios de um relacionamento amoroso é que casais, geralmente, vêm com uma família. Mesmo que você se sinta bem dentro da dinâmica de sua família, ter que trabalhar com a dinâmica da família do companheiro pode ser um desafio a mais. Entretanto, a qualidade dos relacionamos com a família do nosso companheiro é de nossa escolha - cada palavra dita ou não dita, cada ação tomada ou não tomada. Freqüentemente nos vemos forçados no que se refere ao nosso papel em relação à família dele. Na verdade, temos diferentes opções como em qualquer outro relacionamento.
O exemplo seguinte mostra como pode ser forte a consciência da escolha. Jenifer e Joao foram casados por vários anos quando a mãe dela casou-se com Jim. Ele era barulhento e impetuoso, mas também muito generoso e sempre a fim de diversão. Como Joao era filho único de pais mais velhos, ele estava acostumado a um ambiente familiar mais calmo. Quando havia reuniões com a família de Jenifer, ele costumava se isolar. Embora isso incomodasse Jenifer, ela reconhecia o direito de Joao se comportar como achasse melhor.
Uma noite, Jim estava particularmente tagarela, contando histórias e procurando chamar atenção. Notando que Joao estava calado, Jim tentou engajá-lo fazendo perguntas sobre o seu trabalho. João respondeu-as educadamente, porém de maneira quase rude. Ao final do jantar, foi para a cama onde Jenifer o encontrou lendo. Desta vez ela achou por bem dizer, “Achei que você foi meio rude com Jim”. João respondeu: “Às vezes ele é tão duro de aturar”. Jenifer disse, “Eu sei”. E saiu. Momentos depois, João saiu da cama, vestiu um roupão e desceu para falar com Jim. Naquela noite, antes de irem para cama, João disse à esposa. “Eu não gostei da maneira que tratei o Jim. Esta não é a maneira que eu quero ser”.
O que é tão inspirador sobre este exemplo é que Jenifer e João sabiam da capacidade de cada um de fazer escolhas. Jenifer sabia que podia reclamar da maneira como João interagiu com o seu sogro, mas também sabia do direito de João de determinar o seu próprio comportamento. Ela deliberadamente escolheu não pedir para ele fazer as coisas de maneira diferente. Entretanto, quando lhe pareceu importante dizer o que pensava, ela falou. Note que ela não disse a João o que fazer. Ela simplesmente disse a ele o que era uma verdade para ela. João, por sua vez, se deu conta de que poderia interagir com Jim. Quando ele se deu conta de que não estava respeitando seus valores, ele decidiu se corrigir.
Mesmo que você tenha completa consciência de que é independente da família do seu companheiro, você ainda se sentirá muito incomodado quando eles fizerem coisas que aborrecem você. Como você pode trabalhar com isto de maneira a poupar e respeitar seu relacionamento? Uma madeira é evitar fazer seu companheiro responsável pela família dele. Por exemplo, vamos supor que você ache sua cunhada muito intrometida. Reclamar com o seu companheiro sobre ela dá uma idéia errada de que seu companheiro é responsável por acertar a situação. É um passo importante ter a consciência de que nenhum dos dois é responsável por mudar sua cunhada. Em seguida, não julgue por um instante e deixe claro o que você quer. Tente fazer isto com cuidado e sem paixão. O que não está funcionando para você? O que seus sentimentos estão lhe dizendo? Um limite foi ultrapassado? Pense sobre quais são seus valores nesta situação. Por exemplo, você pode dar valor a ser assertiva e ter opinião ou você pode dar valor a ser respeitoso com a família e gentil com os outros. Você pode saber que a sua cunhada não é vai mudar, veja o insucesso de tentar mudá-la e então estabeleça barreiras contra este comportamento invasivo. Provavelmente você terá que estabelecer estas barreiras mais de uma vez e você provavelmente se sentirá incomodada cada vez que ela invadir sua privacidade.
Todos sabem que lidar com a sua própria família é um grande desafio. Quando se trata da família do companheiro, o desafio torna-se maior. Muitas vezes os benefícios são imensamente maiores, principalmente se você preza por um ambiente em família. Ter uma família não é, necessariamente, sinônimo de felicidade o tempo todo. Aprender a lidar com isso é um grande aprendizado.
Karen Camargo é psicóloga clínica, especialista em Terapia Comportamental e Terapia de casais. www.karencamargo.com.br


© 2012 - Noivas & Cia - todos os direitos reservados - layout mkt virtual - desenvolvimento e otimização de sites: