Enquanto aguardo a chegada das noivas na Igreja, centro da atenção de todos os presentes, vejo a preocupação de algumas pessoas nos retoques finais antes de serem abertas portas. Desculpem a brincadeira, mas ela é examinada como um peixe na feira. Desde os olhos, o cabelo, as roupas...tudo. Aí, alguém chega à conclusão de que está tudo perfeito e dá sinal para que se abra a porta.
Não há necessidade para tantos exageros. Todas as noivas são bonitas. É claro, algumas superam-se a si mesmo. É uma alegria interior tão grande que transcende o espaço. Por onde ela passa, enche de beleza todo o ambiente. Se sabe do imenso amor que traz em seu coração e do imenso amor que a espera lá aos pés do altar.
Por estes dias, substituindo um colega, esperei pacientemente por 45 minutos a chegada da noiva. Igreja ornamentada, música ambiente, tudo em ordem. Chega a noiva que mais parecia uma árvore de natal. Até provocou risos nas crianças que estavam na Igreja. E criança não sabe disfarçar...(Pena que nós perdemos este jeito criança de ser!!).
Com meus botões eu pensava: “Quanto mais pobre o circo, mas se enfeita o palhaço”.
Foi desconfortável a celebração daquele casamento. Não havia clima, não havia silêncio e os comentários eram até em voz alta. Fiquei com pena do noivo. Ele se vestiu “conforme manda o figurino”.
Com muito esforço, consegui conduzir a cerimônia ao seu final.
Passado um tempo, conversava com o colega padre, a quem eu havia substituído, sobre o assunto. Ele me dizia: “Quando vieram para a entrevista, eu não percebi seriedade na moça. O rapaz, coitado, não sabia onde enfiar a cabeça diante das respostas de sua noiva”. Aconselhei sobre a seriedade do casamento, sobre a vida em família e sobre a presença de Deus, tão importante e necessária, dizia o padre. A noiva, em sinal de “não estou nem aí”, mascava chicletes e fez uma enorme e barulhenta bola naquele momento....
E concluiu o colega padre: “Tenho pena daquele casal. Não sei até onde vão parar...”
Noivos amigos, a beleza daquele dia fica só naquele dia. A beleza interior, aquela que só Deus pode dar e que faz acontecer a beleza exterior, dura sempre. Ela é fundamentada no amor. Leiam de novo o que foi escrito aí em cima...
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano.
Padre Caetano Rizzi
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