As pessoas que amam tendem a ser, em certa medida, ciumentas. Ambas querem exclusividade em tudo, uma espécie de monopólio sobre o outro. Parece que precisam esquecer os amigos, os familiares, os momentos próprios para viver apenas em função uma da outra.
É claro que isso provoca situações doentias. É um amor que não existe e que, se ainda existe alguma coisa, tende a desaparecer totalmente, com muitas feridas abertas, muitas mágoas e, em algumas situações, com ódio para sempre.
O ciumento se sente dominado, sofre a impotência de não poder afugentar esse intruso importuno. É algo doentio, como disse anteriormente, instalado na zona da obsessão. Naturalmente, o ciúme reflete um baixo nível de auto-estima.
Sabe-se que é difícil conviver com uma pessoa ciumenta, porque os ciumentos, por se sentirem inseguros, tendem a interpretar mal as coisas que acontecem ao redor de si. Estão sempre temerosos e se imaginando subestimados. Pensam sempre no pior.
Os ciumentos tendem a se mostrar importunos, pedindo constantemente que se lhes garanta o amor e a fidelidade. Coíbem, de maneira notável, a liberdade do outro porque sempre o estão fiscalizando como policiais, e o fazem se sentir prisioneiro.
É onde o outro pode cansar-se de que constantemente seu amor seja posto à prova e ser dominado pela idéia de ir embora, de terminar tudo.
Como resolver tudo isso?
O Apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 13, faz um verdadeiro tratado sobre o amor. Não vou transcrever o texto aqui, pois ele é longo. Irei deixar para você a curiosidade de procurar em sua Bíblia. Lá, nós encontramos o verdadeiro sentido do amor e aprendemos a solucionar crises que, de tempos em tempos, podem surgir.
Por estes tempos, celebrei a Missa de 65 anos de casamento de um casal amigo. Quando eles vieram se confessar para participar dignamente da Eucaristia, fiz a mesma pergunta aos dois, no momento próprio. O senhor foi ou ainda é ciumento? A senhora sente ciúmes de seu marido, ou já sentiu?
Sem que os dois soubessem que a pergunta fora feita ao outro, no momento particular da Confissão, responderam com as mesmas palavras: “Padre, nós nos conhecemos já faz 70 anos. Sempre soubemos dialogar sobre qualquer assunto. Nunca deixamos que as dúvidas ficassem para o dia seguinte”. E, ambos disseram: “Eu sei que eu a amo. Eu sei que ela me ama. Por que eu vou arrumar problemas em cima disso?”.
É verdade. Quando existe a confiança mútua, o ciúme não chega perto!
Uma coisa também é verdadeira: a pessoa ciumenta não acredita em si mesma. Como não consegue acreditar em si, não consegue também acreditar no outro.
O ideal, nos momentos de crise, seria a abertura do coração para o outro, mais ou menos com estas palavras: “Estou me sentindo muito inseguro (a); preciso de sua paciência, de sua compreensão para tranqüilizar-me e afugentar os fantasmas...”.
Vamos trabalhar isso? Vamos deixar de sofrer e começar a ser verdadeiramente feliz? Comece buscando na oração. Tudo mais o Pai completará!
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano Rizzi.
Padre Caetano Rizzi
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