Silvia, da Paróquia de Itanhaém, escreve dizendo o seguinte: "por estes dias eu li numa revista para noivas alguma coisa sobre os enfeites no dia do casamento. Enfeites estes que a noiva pode usar, independente de religião. E lá falava da beleza de usar um lindo terço de pérolas nas mãos." - E pergunta: "Isto pode?"
Pois é. Estamos a ponto de banalizar todas as coisas.
Quando a noiva é Católica e vive sua fé, o terço não será um enfeite a mais. Será o "instrumento de trabalho diário na vida da nova Família que se forma".
Sabemos a origem do terço e a importância que a Igreja dedica a ele. O Papa João Paulo II recordava sempre a necessidade desta oração, principalmente em família. "Arma poderosa que afasta o inimigo", dizia ele.
Nossa Senhora, nas mais diversas aparições reconhecidas pela Igreja, principalmente em Fátima, manda rezar o terço todos os dias. Ela disse aos Três Pastorzinhos que o terço os haveria de salvar. Sempre, em todas as aparições, trazia o terço em suas mãos para ensinar e recordar as Verdades da Fé.
Na oração do terço, que é totalmente bíblica, nós contemplamos e rezamos toda a História de nossa salvação. Não há nada no terço que não tenha palavras bíblicas ou de inspiração bíblica (veja, por exemplo, o Pai Nosso e a Ave Maria, bem como a glorificação da Trindade). Nada foi inventado, mas colocado para nosso crescimento na Fé. Em tempos idos, quando nosso povo não sabia ler, o terço era a Bíblia do povo, pois ilustrava tudo o que Jesus fez e ensinou,bem como seu sofrimento e morte, chegando à ressurreição. Tudo para a nossa salvação.
Muitíssimos homens e mulheres se fizeram santos e santas através da oração do terço. Os que viemos de famílias católicas sabemos quantas noites de vigílias nossos pais, principalmente nossas mães, com o terço nas mãos, imploravam por nossa saúde, pela unidade da família, pelo pão de cada dia.
Isto não se pode contestar.
Agora vem a "indústria do casamento" e quer colocar um de nossos símbolos mais queridos como adereço de casamento, como se fosse mera pepita ou miçanga, principalmente quando não se acredita ou não se tem fé. Aliás, ficaria bem melhor quem não tem fé, quem não acredita no Sacramento do Matrimônio, nem casar na Igreja. Apenas um ato social.
Se há diversas correntes que querem tirar todos os símbolos religiosos, que fazem parte de nossa história, de nossa cultura, para "não ofender os que não acreditam", se estimula agora o uso apenas como enfeite. Não é ridículo?
Cuidemos, portanto, de nossos valores, de nossa fé, de nossa história. Não permitamos que brinquem com coisas sagradas, que depois serão deixadas e esquecidas em qualquer canto.
Lembro de minha família, principalmente de minha mãe. Quantos terços aquela mulher rezou! Quantos terços aquela mulher gastou de tanto rezar. Quando meu irmão, que é padre também, trabalhando em Londrina, no Paraná, ia para casa nas férias, sempre levava junto um alicate especial para consertar os terços de nossa mãe. Tinha um que ela usava para pedir graças especiais, principalmente pelos filhos e pela nossa vocação. Foi um que meu irmão ganhou e que fora abençoado pelo Beato Papa João XXIII. E este era consertado umas duas vezes por ano....
Recomendo aos noivos amigos que, antes de começar a escolher novidades, se preocupem em crescer no amor, na fé, na busca de Deus. Isto perdura para sempre. As músicas, as roupas, as flores, terminada a celebração, ficam tudo no passado. Deus a gente leva para sempre!
E quando se leva Nossa Senhora para a nova família que se forma, pode-se ter a certeza de entrar em caminho seguro, em caminho certo. Afinal, não foi numa festa de casamento que Jesus fez seu primeiro milagre? E não foi Nossa Senhora que intercedeu por aqueles noivos?
Façam a mesma coisa!
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano Rizzi.
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