Conheci aquele casal de namorados numa das Missas que celebrei no Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, em Santos. No final da Missa, vieram pedir uma bênção para o namoro que estavam vivendo. Queriam um namoro abençoado. Como tive tempo, conversei longamente com eles. Fizemos amizade.
Numa ocasião vieram visitar-me. Continuamos nossa conversa e eles falaram dos planos, do trabalho de cada um, dos estudos. Diziam também que tinham pouco tempo para namorar, pois os horários não coincidiam.Dizia o noivo: “depois de casar, tudo muda, pois estaremos na mesma casa”. Fiquei pensando naquela frase...
Não foi possível assistir ao Matrimônio deles, por motivo de Congresso.(Para quem não sabe, o padre não faz casamentos, ele assiste ao casamento como Ministro Qualificado. Quem celebra o casamento são os noivos).Soube que foi uma festa maravilhosa. Rezei por eles.
Passado um tempo, como não tinha notícias dos dois, resolvi telefonar e marcamos uma visita. Eu fui abençoar o novo lar dos meus amigos.
Estavam diferentes. Não havia aquele brilho no olhar que sempre me chamou a atenção. Ao longo da conversa, depois da bênção, tomei a liberdade e perguntei o que estava acontecendo com eles.
Disse-me o marido: “continuamos com pouco tempo para conversar. Nossos horários permanecem diferentes. Quando um acorda, o outro está chegando para dormir”.
Percebi que o amor estava ficando doente. Aconselhei-os a tentar mudar alguma coisa, a renunciar a alguma atividade para que tivessem tempo para eles também.Disseram que tinham dívidas, que precisavam trabalhar para manter o nível social a que estavam habituados. Disse que nível social sobe e desce conforme o andar da vida, mas que o amor não poderia ficar prejudicado em função de pessoas, lugares ou festas. Deixando certas situações de lado, dizia eu, poderiam economizar, pagar as dívidas e ter tempo para os dois. Fui até um pouco rude, mas como amigo, não podia deixar que aquele casal visse ruir todos os planos feitos para a vida em comum. Ficaram de conversar. Eu disse que voltaria para ajudar a curar o amor que estava doente.
Foram eles que vieram me visitar. Contaram de seus novos planos e pediram ajuda para “curar o amor”. A expressão que eu havia usado, “o amor está doente”, mexeu fundo no coração dos dois.Novamente rezamos juntos e eu os abençoei. Voltaram para casa de braços dados. No Domingo seguinte estavam sentados no primeiro banco da Igreja, de mãos dadas o tempo todo, até na hora da Comunhão.
Percebi que a “receita” havia sido seguida e os medicamentos estavam fazendo efeito. Que bom!!
Com carinho e a bênção do Pe. Caetano.
Padre Caetano Rizzi
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