Na semana passada, depois de ter lido alguns artigos desta Revista, uma senhora mandou um e-mail pedindo para conversar comigo. Marcamos e ela veio.
Preocupada, com rosto cansado começa a chorar. Deixei que desabafasse, que chorasse tudo o que precisava, e começamos a conversar. Ela me disse: “Padre, minha filha está grávida. O que eu devo fazer?”
Contou-me que sua filha já está namorando faz 4 anos. Os dois estão no último ano da faculdade, são boas pessoas, um namoro bonito e aconteceu... Os dois estão tristes, pois não esperavam que isso acontecesse agora. Tinham planos para casar no ano que vem.
Consolei esta mãe aflita, que se sentiu traída na confiança que depositava na filha e no namorado da mesma. Perguntava também: “O que fazer agora?”
Primeiramente eu elogiei a filha pela confiança de contar à mãe o que estava acontecendo com ela. Não deve ter sido fácil. Depois valorizei a vida que ela soube preservar. Apesar de tudo, os dois optaram pela vida. Muitos, infelizmente, em situações semelhantes, procuram o caminho da morte através do aborto. Disse que o momento é de unidade e de amor. Uma vida está a caminho e deve ser esperada com amor. Muda, é claro, toda uma situação. Não é o caso de antecipar a data do casamento, se eles ainda não se sentem preparados para isso. Um erro não se corrige com outro erro. Podem esperar a criança nascer e casar depois. Saberão viver sem atropelos e sem mentiras, apenas “para dar uma satisfação à sociedade”. Converse com calma também com seu marido. Façam disso um trampolim para a unidade entre vocês.
Aí vem a célebre pergunta: “Então minha filha não vai poder entrar na Igreja vestida de noiva?”
Quantas enganam meio mundo, usando um branco que não existe mais...O que importa é preservar a integridade da vida. Muitas vezes o vestido branco, que simboliza a castidade, a virgindade de ambos, é uma solene e pública mentira. E quantos entram na Igreja, vestidos de uma maneira impecável, mas carregam consigo o pecado da morte por já terem praticado aborto (alguns, várias vezes). De que vale tudo aquilo?
Disse à futura vovó aflita: “Não se preocupe com isso. Nós iremos celebrar este casamento de uma maneira solene, de uma maneira bonita. A senhora poderá preparar a festa que sempre sonhou, pois é sua filha única, sabendo que não estará enganando ninguém, dizendo depois que ‘o neto é prematuro’. Viva este momento com esperança. Diga à sua filha e ao seu futuro genro para que venham conversar comigo, já que moram aqui em Santos. Como Sacerdote, eu os ajudarei a enfrentar esta situação. Rezaremos juntos. Não haverá precipitação e tudo acontecerá com calma e alegria. Pode dizer a eles que também darei um belo puxão de orelhas pelo fato de não terem sabido esperar mais um pouco. Mas tudo será resolvido no amor, na esperança, na fé e, acima de tudo, na VIDA!”
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano.
Padre Caetano Rizzi
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