Por diversas vezes vi aquele casal de noivos participando (?) da Santa Missa de uma forma muito silenciosa. Entravam juntos, ficavam um ao lado do outro, saiam juntos, mas não trocavam uma palavra. Um enorme silêncio reinava no coração dos dois. Percebi que não era o silêncio da paz, mas o da ausência.
Como minha Paróquia é pequena, aprendi a conhecer as pessoas, claro, não todos pelo nome, mas pelo rosto.Tive, então, a liberdade de conversar com os dois sobre o assunto. Humanamente falando, melhor teria sido não ter tocado naquele assunto. Percebi sinais de desconforto de ambas as partes. Naqueles corações havia uma batalha programada e pareciam praias desoladas, embora era o mesmo mar que as banhava. Estavam perdidos em seu pequeno eu.
Durante a conversa, percebi que havia problema de perdão. Eram histórias guardadas, problemas mal resolvidos que se acumulavam e, de tempos em tempos, vinham à tona. Por não terem aprendido a perdoar, o acúmulo silencioso do rancor envenenou o sangue do amor e eles respiravam pelas feridas e, a cada palavra, parecia que um estilete abria novas feridas.
Deixei que falassem bastante. E como falavam...muitas vezes ao mesmo tempo...Eles precisavam de alguém que os ouvisse, simplesmente os ouvisse, sem que fossem feitos julgamentos.
Quando os dois começaram a chorar, percebi que era hora de entrar no assunto, pois o amor começara a vir à tona e eles sentiam saudades um do outro.
Comecei citando o Evangelho, onde Jesus ensina a perdoar sempre. Continuei lembrando o Mandamento do Amor, sempre novo, pois era o Novo Mandamento de Jesus. Eles escutavam silenciosamente, não com aquele silêncio que sufocava, mas um silêncio de esperança. Os dois se amavam, mas tinham dificuldades enormes em perdoar.
Continuei elogiando a busca dos dois, pois, apesar do silêncio sufocante e cheio de mágoas, não deixavam de rezar, de vir à missa (agora você, leitor, pode entender o ponto de interrogação colocado acima), de buscar uma solução. Como os dois têm um temperamento forte, não queriam dar o braço a torcer.
Naquele Domingo à noite, após a Missa, eu havia programado ir ao cinema para assistir novamente ao filme “A marcha dos pingüins”, que me fizera muito bem. Fiquei conversando com os dois até às 22:00. Valeu à pena ter perdido o filme (uma pena mesmo, pois já saiu de cartaz) e ter conversado com aqueles noivos “doentes em seu amor”. No final da conversa rezamos juntos, os dois pediram a bênção e pediram para serem ouvidos em Confissão. Ele foi ouvido por primeiro, pois era quem mais chorava. Enquanto eu ouvia a noiva, o noivo foi até o Sacrário conversar com Jesus. Depois ela foi também. E lá ficaram quase meia hora, juntos, em silêncio, rezando.
Quando foram embora, pareciam outras criaturas. Estavam felizes, pois conseguiram colocar para fora o que os oprimia. No Domingo seguinte, no mesmo horário, lá estavam os dois participando, agora verdadeiramente, da Missa. Do altar dei a eles uma piscadinha de cumplicidade. Os dois responderam da mesma maneira, sorridentes....Foi bom! Muito bom!
E vocês? O que estão esperando?
Com o carinho e a bênção do Pe. Caetano Rizzi.
Padre Caetano Rizzi
© 2012 - Noivas & Cia - todos os direitos reservados - layout mkt virtual - desenvolvimento e otimização de sites: