Seu Pedro e dona Luiza celebraram 55 anos de vida matrimonial. Foi uma festa bonita, Igreja cheia, muita emoção. Lá estavam os filhos, os netos, os bisnetos, os irmãos, os cunhados, sobrinhos e um grande número de amigos. Havia emoção em todos os corações.
Seu Pedro fez questão de entrar na Igreja ao lado da esposa, do jeito que ele sempre andou com ela: - com o braço direito nos seus ombros! Ao sair da Igreja, emocionado, também ele pôs o braço no ombro da esposa.
Aquele gesto me deixou impressionado. Passados alguns dias, fui fazer uma visita, levando a eles alguns telegramas e mensagens que tinham sido endereçados à Igreja, pois eram pessoas muito conhecidas. Aí eu perguntei: _ Seu Pedro, me explique aquele gesto bonito do braço sobre os ombros de dona Luiza.
Meio sem jeito, porém feliz, ele me disse: “Padre, quando nós éramos namorados, tempo bom aquele, era uma maneira de dizer aos outros que aquela moça “tinha dono” e que ninguém poderia mexer com ela. Eu senti que a Luiza se sentia protegida perto de mim. Casamos e continuamos a proceder assim. Isso sempre nos fez bem. Quando via que a Luiza estava meio adoentada ou preocupada por causa de nossos filhos, era em meu ombro que ela encontrava a força para continuar. Numa ocasião eu fiquei muito doente, acamado durante dois meses. Era o ombro dela que me sustentava, que me apoiava. Quando recomecei a caminhar, passo a passo, pouco a pouco, era no ombro dela que eu me segurava.
Padre, aí nós percebemos que éramos importantes e necessários um para o outro. Que um precisava sempre do outro. Este sempre foi o nosso segredo. Um dia nosso neto mais velho notou o nosso jeito de ser e perguntou o seu significado. Ele ouviu e não comentou nada, guardando para si aquele segredo público. Passado um tempo, como todo casal, Luiza e eu tivemos uma briguinha boba e ficamos “meio emburrados” um com o outro. Nosso neto notou que havia alguma coisa no ar e perguntou: “ Os ombros estão cansando?”
Percebemos, então, o quanto é importante não deixar que as pequenas rusgas do dia a dia atrapalhem um plano de vida. Sem planejar nada, os dois nos abraçamos e nos beijamos, sentindo que sem o ombro do outro,nossa vida não tinha sentido”.
Fiquei mais um tempinho na casa daquele casal-amor. Ouvia suas histórias e sentia a felicidade no ar. Foi muito bom ter ido lá!
Ao voltar para casa, já na hora da Missa, diante do Sacrário,rezei: “ Senhor, aumenta o número de casais-ombros.Ensina a todos o quanto é bom caminhar juntos e se ajudarem mutuamente. Amém!”
Padre Caetano Rizzi
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