
Nos serviços que presto à Igreja nas questões matrimoniais, principalmente nos pedidos de possível declaração de nulidade do casamento anterior, consta sempre a questão: “ele(a) mudou totalmente depois do casamento”. - Como, então, saber se ele(a) é a pessoa certa?
A resposta é muito simples: - Namorando. Sim, um namoro sério, com perspectivas de futuro, com diálogo franco e aberto, com o conhecimento de ambas as famílias, ajuda a prevenir possíveis erros das pessoas, possíveis vícios escondidos, possíveis doenças e mudanças de comportamento.
Há uma frase do psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor de psicologia da USP-SP, que diz: “O amor é míope e o namoro é um par de óculos”.
Há muito de verdade nesta frase, pois, muitas vezes, na paixão existente, não se percebe o verdadeiro caráter, o verdadeiro modo de ser da outra parte, tanto de rapazes, como de moças.
Existe uma historinha que diz assim: “Havia uma tartaruguinha que namorava todo tartarugo novo que aparecia. A mãe dela sempre avisava: - “Minha filha, cuidado, não se precipite, não se apaixone tão fácil”. A tartaruguinha, porém, não obedecia sua mãe e sempre dizia que o amor era cego. Numa ocasião a tartaruguinha se apaixonou por um tartarugo diferente: - quieto, não falava, não punha as perninhas para fora e também não mostrava a cabeça. E a tartaruguinha lá estava, quieta, olhar apaixonado diante daquele tartarugo completamente diferente. Dizem que, até hoje, ela está namorando aquele capacete verde do exército....
Infelizmente ainda existem muitas tartaruguinhas e muitos tartarugos assim, que dizem que o amor é cego, que não enxergam nada a não ser a si mesmos. E as surpresas acontecem.
Nunca se pode casar em condições de futuro: “quando ele(ela) casar, a coisa muda”. Um temperamento, um vício, a falta de conhecimento, um modo egoísta de ser, não muda com o casamento.
Para isto existe o namoro que, pode sim, diante de um grande amor, realizar milagres. Quantas vezes a gente escuta: “O que seria dele (dela) se não tivesse encontrado tal pessoa em sua vida! Como houve mudança!” – E isto é verdade, pois um grande amor realiza milagres, principalmente se vivido diante de Deus. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS MUDAM, AS PESSOAS PODEM MELHORAR, PORÉM AS GRAVES FALHAS DE CARÁTER RARAMENTE SE ALTERAM.
Ninguém deve trocar alianças porque houve gravidez, porque os pais pressionam, porque os pais da namorada exigem. Não se casa sob pressão. E ninguém deve casar achando que vai “regenerar” alguém, principalmente nos casos de drogas ou bebidas. É muito comum a menina conhecer um rapaz viciado em drogas e pensar: “ele não teve carinho, não teve afeto, por isso entrou nas drogas. Eu vou ajudar”. Não é o casamento que resolve isto.
Se o (a) namorado(a) nunca trabalha ou fica bêbado(a) todo fim de semana, não imagine que haverá mudanças depois de casados.
Não case se a pessoa é mentirosa, infiel, desonesta, violenta, machista – feminista, egoísta. Não haverá mudanças de comportamento com o simples trocar de alianças. É preciso namorar e namorar com seriedade.
Em minha longa experiência com casais (e já se vão 27 anos), tenho tristes casos de casamentos que fracassaram porque o conhecimento da pessoa acontece só depois do casamento. Alguns casamentos não duraram nem dois meses, pois apenas depois é que foi mostrada a verdadeira face do outro.
Namorados e noivos amigos! Namoro não começa com uma primeira noite no motel e nem com uma balada regada a bebidas e drogas. Namoro sério começa com diálogo, conhecimento, planejamento, perspectivas de futuro, compromisso, fidelidade.
Se isto não existir em seu namoro ou em seu noivado, caia fora enquanto é tempo. O sofrimento que vem depois não atinge somente as duas pessoas, mas famílias inteiras e amigos bem próximos.
Um conselho de padre? – “Rezem dizendo assim: - Senhor, que eu encontre um(a) namorado(a) segundo o desejo do Teu Coração”. – E Deus nunca falha.
Com o carinho e a benção do Pe. Dr. Caetano Rizzi

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