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O Transtorno do Pânico é classificado pelo DSM IV (APA, 1994) como um dos Transtornos de Ansiedade. Ele pode ser definido como um conjunto de crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são entendidas como intensas, repentinas e inesperadas, provocando mal estar físico e mental. O diagnóstico possui critérios bem definidos, não podemos classificar como transtorno do pânico qualquer reação intensa de medo.
Para que se possa diagnosticar a Síndrome do Pânico, é necessário que haja a ocorrência de várias crises em um período de semanas ou meses. Entre os sintomas, pelo menos quatro dos seguintes devem estar presentes:
1- Aceleração da freqüência cardíaca
2- Sudorese
3- Tremores
4- Dificuldade para respirar.
5- Sensação de desmaio iminente.
6- Dor ou desconforto no peito
7- Náusea
8- Tonturas
9- Despersonalização
10- Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo
11- Medo de morrer.
12- Sensação de formigamento
13- Ondas de calor ou calafrios pelo corpo.
As crises de ansiedade no pânico duram minutos e costumam ser inesperadas, o que pode surpreender a pessoa em situações variadas. Elas tem um início súbito e aumentam rapidamente, atingindo um pico de 10 minutos e é acompanhado por sentimento de perigo e anseio por escapar.
“Quando caminhava para o carro, já sentia dificuldade em respirar. Quando entrei no carro, não conseguia conversar com as pessoas. Senti um formigamento nas mãos, subindo em direção ao ombro, parecia que meu braço estava queimando. Quando a sensação estava chegando no peito, pedi para que parassem o carro. Tive muito medo que essa sensação de queimar fosse para o meu coração, que eu desmaiasse e ninguém pudesse me ajudar. Tive medo pois não sabia o que estava acontecendo. Quando sai do carro, a sensação passou, foi como mágica. Fiquei com tanto medo de sentir isso novamente que procurei prontamente um tratamento médico e psicológico.”
A. N. – 36 anos
Em sua maioria, os pacientes são adultos entre 20 e 40 anos. Eles tendem a ser muito preocupados com os problemas cotidianos e carregam grandes expectativas com relação às pessoas e acontecimentos. Gostam de ter as situações sob controle e possuem pensamentos rígidos. Tais características causam estresse acentuado, o que ocasiona intensa atividade cerebral e desequilíbrio bioquímico.
Como as pessoas com Pânico têm muito medo de novas crises, elas acabam evitando as mesmas situações que levaram às primeiras crises. Alguns procedimentos que provocam sensações similares às experimentadas também são evitados, como por exemplo, a prática exercícios físicos, por causar aceleração da freqüência cardíaca e aumentar a sensação física de estar vivenciando uma nova crise.
É importante ressaltar que há ataques de pânico que podem ou não ser acompanhados de Agorafobia que é o medo de estar em lugares ou situações nas quais seja difícil sair, ou não haja ajuda disponível na hipótese da ocorrência de uma crise de pânico. Entre as situações mais freqüentes são: quando o indivíduo está sozinho ou fora de casa, presença em multidões, filas, andar em uma ponte, viagem de ônibus, trem ou automóvel, entre outros.
As pessoas que sofrem de Pânico geralmente desconhecem o diagnóstico e percorrem uma grande quantidade de especialistas, pois geralmente recebem o diagnóstico de que não sofrem de nenhum mal, o que gera ainda mais insegurança e desespero. O Pânico pode ainda ser confundido com doenças cardiovasculares. Alguns medicamentos como as anfetaminas (usados em dietas de emagrecimento) ou drogas como cocaína, maconha, crack, ecstasy, etc, podem aumentar a atividade cerebral, promovendo alterações químicas que podem levar a uma crise.
O tratamento para o Transtorno do Pânico geralmente envolve psicoterapia e medicação. Os antidepressivos e os Benzodiazepínicos geralmente são administrados com acompanhamento médico, geralmente de um psiquiatra.
A Terapia Comportamental Cognitiva tem trazido propostas eficazes de tratamento para o Pânico principalmente porque visa uma melhora na qualidade de vida do paciente. Em geral, o tratamento tem como prioridade a diminuição nos níveis de ansiedade o que geralmente é alcançado através de exercícios de respiração e relaxamento. Em paralelo, a abordagem cognitiva visa corrigir as avaliações errôneas das sensações corporais. A abordagem comportamental busca principalmente ampliar as capacidades de enfrentar as dificuldades vividas a partir das crises. Dentro do método comportamental, a exposição interoceptiva visa buscar a extinção do medo que foi aprendido (e condicionado) pelas crises anteriores.
Os pacientes podem necessitar de companhia para saírem de casa e podem ter suas atividades cotidianas comprometidas, o que pode indicar necessidade de auxílio da família para o tratamento. Alguns pacientes ainda se recusam a sair de casa, o que indica a necessidade de tratamento psicoterapêutico domiciliar.
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